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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Deixem o Pimba em Paz!


Na passada quinta-feira, a noite sorriu-me e eu retribuí.
Há, por exemplo, canções de "grandes" bandas como The Beatles - e, na minha opinião, Coldplay - bem mais triviais e corriqueiras que canções "Pimba".

Pessoalmente, este espectáculo - um enlaço entre o teatro e a música - é uma homenagem ao que tanto nos une: a música - até mesmo a Pimpa, sim!

Ouviram-se versões (e falo de versões - em oposição a covers) tão bem trabalhadas a partir dos originais que, mais do que rir, fizeram sorrir.

Porque o Pimba é tão digno quanto o Pop Pock dos Clã e o Fado do Camané (e até o Hip Hop que fez lembrar os Da Weasel). Será necessário um humorista famoso, dois (excelentes) cantores e três músicos para nos lembrar isso? Temo que esta sociedade o exija, ainda que seja uma exigência descabida.

Os mais cépticos dirão: "pois, isto apenas revela que qualquer um - como o Bruno Nogueira, que não canta bem nem para salvar-se da morte - pode cantar Pimba."

Pois os cépticos que Deixem o Pimba em Paz!


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Adele

Li algures que o Slash considera a Fergie a melhor cantora dos últimos 15 anos. Ora, lá que a moça canta, não há dúvidas. O seu talento é [quase que] indiscutível, ainda assim, para que eu concordasse com Slash, teria que, muito provavelmente, estar sob o efeito dos mesmos estupefacientes que ele...
Com isto, coloco uma questão já conhecida, que dificilmente desaparecerá. Pergunto: “Se ela [a Fergie] tivesse uns 20 kgs em cima daquele fantástico corpo, será que o comentário se manteria?” Pois, correndo o risco de ofender Slash, tenho as minhas dúvidas...
Com algum receio, critico este consumo de música “pela visão” – porque, para alguns, é bem mais agradável ouvir uma voz vestida de um belo corpo e cara bonita.
Afinal de contas, [seguem-se aqueles exemplos voluntariamente simplistas e que generalizam a questão] the Beatles tinham uma legião de fãs [femininas] a comprar os seus álbuns, e quase que aposto que não era [só] pela complexa composição de Yellow Submarine, ou pelas suas vozes extraordinárias...
De forma ainda mais vulgar e evidente, o público americano preferiu Lee DeWyze a Crystal Bowersox – eu sei, gostos não se discutem... Assim, e infelizmente, por vezes há cantores que ficam para trás pois a aparência não está ao nível desses gostos...
Houve quem cantasse “video killed the radio star” e, ainda hoje, há vozes que se vêm esquecidas ou ignoradas por um público sedento do que é agradável aos seus olhos.

Com isto, chego a Adele – o exemplo de uma voz “ignorada” por muitos [e esquecida pelo Slash, aquando do seu comentário], pois, manda o ideal de beleza da nossa sociedade, parece não ser apelativa visualmente.


“Gosto da voz, mas a canção é uma seca”, foi o que pensei quando ouvi, pela primeira vez, Chasing Pavements. Ainda assim, guardei espaço para ouvir restantes sons de Adele e, com Hometown Glory, este soalho criou um lugar especial para os sons de uma artista lindíssima [sim, porque gostos não se discutem, ela é lindíssima!]!
Hometown Glory surgiu aquando da minha decisão de regressar a esta cidade e sustentou a vontade de aqui permanecer, sem o sentimento de estranheza. Esta canção tornou-se assim um hino pessoal à cidade que acolhe a lembrança da adolescência e – entre ruas, pessoas e lugares – criará novas memórias.
Slash poderá nunca ter ouvido Adele – mas aqui, quem perde é o senhor da cartola.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Come Together

“Não se ama alguém que não ouve a mesma canção” – canta Rui Veloso, enquanto acabo o café e acendo o cigarro – e assim, elimino o texto que estava a escrever e opto por seguir este som, que me levará algures neste dia frio. 

A Paixão tornou-se usual (ou até banal) nos bares e cantares deste país e, ainda assim, há quem dê a mão à palmatória na força deste simples verso.
Pessoalmente, tenho a mão estendida desde sempre – pois o "não ouvir a mesma canção" já proporcionou o desinteresse [preconceituoso e involuntário] por uma ou outra pessoa –, mas mantenho a certeza de que o verso da medalha é igualmente bem possível.

Ainda que A Paixão nos fale de um desamor, o dia de hoje relembra como a canção – [quase] toda e [quase] qualquer uma – é uma força que elimina o espaço entre as pessoas, criando novas amizades e proporcionando um novo amor. Quem não foi ainda feliz vítima desta força, vive [digo eu] com menos sorrisos.

De um modo geral, diria que há sons que permanecem no coração – como que uma pilha extra e recarregável – para que ele não deixe de sentir. Por vezes, temos a sorte de encontrar quem use uma mesma pilha, possibilitando assim a aproximação dos corações – e ouve-se um tic-tac em uníssono que sabe sempre bem!

Nestes dias frios, que nem sequer deixam ver o sol, tenho pairado numa outra canção que recarrega as pilhas e apela ao aquecimento do coração – porque às vezes, para que haja a aproximação e o aconchego, temos que apelar!

Assim, esta canção vai e vem nesta semana de Novembro, sem que o seu significado vá para além do título. Ela é ouvida [e, em momentos distraídos, cantarolada] pela vontade de estar junto de quem se gosta, pela sensação de que essa união é possível – basta querer e ... basta ouvir a mesma canção!


Ainda que bastante reticente quanto a algumas criações dos Beatles [Yellow Submarine, independentemente do seu valor social, será sempre uma tortura...], há sons sensacionais nos seus álbuns e Come Together é, para mim, um excelente exemplo. Mais do que isso, tem sido uma excelente companhia!

Perante tantas opiniões quanto ao significado de Come Together [e, já agora, de qualquer outra canção dos The Beatles], agrada-me a ideia de que cada estrofe descreve cada um dos membros da banda, pois nem sempre temos que ver as coisas pelo lado político... Os sons unem-se e as palavras apresentam quem os cria – se tiver que pensar acerca do carácter social e político, não será hoje, certamente!

Hoje, fico-me pelo apreço da sua sonoridade suavemente energética e ideia de união que a música cria.