sábado, 18 de dezembro de 2010

Crystalised

O frio mantém-se e há quem diga que já não é novidade... As mãos, em tom lilás, só querem os bolsos quentes, os pés pedem uma lareira e o coração merece um abraço que perdure.

Mas hoje, a época não o permite – há que sair do aconchego do lar e procurar prendas para oferecer no Natal. Tinha prometido, desde a hospitalização do meu carrinho e consequente despesa, que não o faria. "Não há prendas para ninguém!”– disse, convicta e triste.

Mas há quem diga que as promessas também se quebram, como copos de cristal perante um som agudo e estridente. Assim, vejo-me num café, a minutos de espalhar pedacinhos de cristal pelos caminhos do centro comercial. Lá se vai a promessa!...

Hoje, porque o tempo urge e, mais uma vez, passou por mim um carro com a matrícula ...-...-XX, aqui fica este som da banda The XX. É, para mim, mais uma banda que alimenta o Indie Rock britânico da melhor forma. Crystalised, que se tem tornado objecto de rotina diária, revela a calma e suavidade no seu som. Os instrumentos aconchegam vozes aparentemente ingénuas e doces, que deixam ecos numa mensagem levemente sombria.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Never Tear Us Apart

Ontem, em conversa com uma amiga, relembrei os dias frios na República Checa – porque 23º negativos parece muito frio e, ainda assim, o vento desta cidade suporta-se com menor dificuldade...
Recordei momentos simples – aqueles que não vale a pena contar, dada a sua trivialidade. Andar com neve pelo joelho, convicta de que não molha como a chuva – e o consequente desabar desta simples e ignorante certeza. O evidente nem sempre é o nosso pensamento primitivo, e é assim que chegamos a casa com a roupa a pingar e o corpo a doer.

Dois anos naquele país criaram o sentimento de fuga perante lugares por onde a neve passa, mas não criaram, de forma alguma aversão à República Checa. Ali, ensinei pela primeira vez e, acima de tudo, aprendi. Muito. Sobre os outros e sobre mim. [Quantas vezes, dei por mim a cantarolar “people are strange, when you’re a stranger”!]

As idas a Praga tornaram-se tão comuns que o hábito superou o magnífico. Mas a beleza está lá e não há fotografia, nem vídeo, que a deixe viver cabalmente.

Saudades de Praga? Das ruas, dos monumentos, das pessoas? Quem não tem, depois de partir? Mas não é caso para chorar - é mais um ponto no mapa que a sorte me ofereceu. Agora fico-me por aqui, pousei as malas e deixo que o pó assente – só um bocadinho!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Thunderstruck

Por vezes, num bar desta cidade, há quem dance e cante canções com uma versão personalizada e, diria, especial.
É um acto que convida a boa disposição – cantar, por exemplo, o nome de um jogador de futebol no refrão de 7 Nation Army é bem mais divertido e, ainda que de forma menos evidente, transmite um sentimento de amizade entre aqueles que o fazem.
É, de certa forma, um exemplo como a música une as pessoas e permite a partilha – de sentimentos, de ideias e até de lembranças e sorrisos!



Thunderstruck de AC/DC é, pura e simplesmente, uma “kickass song”! Dito isto, pouco mais haverá a dizer, pois Thunderstruck não se comenta, sente-se.
A adrenalina desperta aquando do início deste som e toda a energia se renova até ao último segundo!

Há quem acredite que é a resposta a We Will Rock You de Queen – ambas reforçam a motivação e traçam o caminho para alcançar a energia pessoal, mas AC/DC atinge o objectivo com uma fluidez bem mais veloz e, ao mesmo tempo, duradoura. Aqui, o meu amor por Queen faz uma vénia a este som de AC/DC

De volta àquele bar – às pessoas que habitualmente o visitam e, no fundo, criam a identidade daqueles poucos metros quadrados.
Pessoalmente, adoro o grito português que se ouve, ao invés do estrondoso “Thunder!”. Remete a alguém cujo valor sentimental é imensurável e assim, ainda que não acompanhe quem faz ouvir aquela versão naqueles momentos, é o coração que canta – sempre!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Adele

Li algures que o Slash considera a Fergie a melhor cantora dos últimos 15 anos. Ora, lá que a moça canta, não há dúvidas. O seu talento é [quase que] indiscutível, ainda assim, para que eu concordasse com Slash, teria que, muito provavelmente, estar sob o efeito dos mesmos estupefacientes que ele...
Com isto, coloco uma questão já conhecida, que dificilmente desaparecerá. Pergunto: “Se ela [a Fergie] tivesse uns 20 kgs em cima daquele fantástico corpo, será que o comentário se manteria?” Pois, correndo o risco de ofender Slash, tenho as minhas dúvidas...
Com algum receio, critico este consumo de música “pela visão” – porque, para alguns, é bem mais agradável ouvir uma voz vestida de um belo corpo e cara bonita.
Afinal de contas, [seguem-se aqueles exemplos voluntariamente simplistas e que generalizam a questão] the Beatles tinham uma legião de fãs [femininas] a comprar os seus álbuns, e quase que aposto que não era [só] pela complexa composição de Yellow Submarine, ou pelas suas vozes extraordinárias...
De forma ainda mais vulgar e evidente, o público americano preferiu Lee DeWyze a Crystal Bowersox – eu sei, gostos não se discutem... Assim, e infelizmente, por vezes há cantores que ficam para trás pois a aparência não está ao nível desses gostos...
Houve quem cantasse “video killed the radio star” e, ainda hoje, há vozes que se vêm esquecidas ou ignoradas por um público sedento do que é agradável aos seus olhos.

Com isto, chego a Adele – o exemplo de uma voz “ignorada” por muitos [e esquecida pelo Slash, aquando do seu comentário], pois, manda o ideal de beleza da nossa sociedade, parece não ser apelativa visualmente.


“Gosto da voz, mas a canção é uma seca”, foi o que pensei quando ouvi, pela primeira vez, Chasing Pavements. Ainda assim, guardei espaço para ouvir restantes sons de Adele e, com Hometown Glory, este soalho criou um lugar especial para os sons de uma artista lindíssima [sim, porque gostos não se discutem, ela é lindíssima!]!
Hometown Glory surgiu aquando da minha decisão de regressar a esta cidade e sustentou a vontade de aqui permanecer, sem o sentimento de estranheza. Esta canção tornou-se assim um hino pessoal à cidade que acolhe a lembrança da adolescência e – entre ruas, pessoas e lugares – criará novas memórias.
Slash poderá nunca ter ouvido Adele – mas aqui, quem perde é o senhor da cartola.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

God Gave Me Everything I Want

Há pessoas que parecem ser invencíveis – a insuperável energia de alguns é quase táctil, sente-se um arrepio no peito e somos contagiados pela força que ressalta das suas vozes.

Há quem veja o mundo como algo simples de se ocupar e, talvez assim, o lugar que ocupam é bem mais visível – porque às vezes temos que afastar a modéstia, temos que sentir que somos bons a fazer algo [nem que seja cozinhar!] e mostrá-lo para que não haja dúvidas.


Mick Jagger e Lenny Kravitz dão voz a um exemplo de um som repleto de invencilbilidade.
Ouve-se uma certeza: [porque é tão simples, e é isso mesmo...] o mais importante são as coisas simples da vida – e, quando se ouve tal mensagem embrulhada num rock, para mim,  competente e cru, as palavras são contagiantes.


De repente, ainda que os dias não nos sorriam de forma mais honesta, este som é sentido como uma força que nos suporta e lembra que a simplicidade também é querida – também.

Afinal de contas, ainda estou por cá e não estou só. Mais do que isso, ainda tenho tempo para fazer crescer este lugar que ocupo. E, para que este cantinho no mundo se revele mais sorridente e altivo, contribuem aquelas coisas que tomamos por garantidas.
Para quem está esquecido [como eu, nestes últimos dias] fica esta canção.



quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Warpaint

Sou daquelas pessoas que desistiu de comprar religiosamente o Blitz quando se tornou a Blitz. Recebo via e-mail a newsletter, o que me basta dado o descescente interesse pela escrita que apresenta. Volta e meia, dou por mim satisfeita com a leitura vertical dos títulos, sem necessidade de aceder ao site da Blitz.

Ontem, felizmente, dei o braço a torcer a esta nossa e-revista. E a curiosidade colheu os seus frutos.
Hoje, a escassez de tempo e excesso de cansaço permite-me somente que deixe um som de Warpaint, uma banda que me suscitou a curiosidade e, espero, abrilhantará este soalho!



terça-feira, 7 de dezembro de 2010

David Fonseca

“Um português tem é que cantar em PORTUGUÊS!” – é o que por vezes se ouve dizer, não sei bem porquê. Será uma questão de nacionalismo? Há que ser fiel a esta nossa pátria e sua Língua? Não sei e, felizmente, não será questão profundamente discutida neste soalho.
Ainda assim, solto a minha opinião – pois não me importa se a nacionalidade do cantor está em consonância com a língua que usa para cantar.

Se um Português opta por cantar em Inglês, exigo apenas que o faça bem – não me refiro apenas à qualidade musical [disso, percebo pouco], mas também ao bom uso da Língua Inglesa. Caso contrário, surgem coisas como Squeeze Theeze Pleeze, que magoam os ouvidos e dão razão ao comentário inicial...



David Fonseca, a par da sua criatividade – que explode tal qual fogo de artifício – tem a felicidade de saber usar a Língua Inglesa de forma menos simplória e aportuguesada – e, inicialmente, foi assim que me cativou, desde os tempos de Silence 4.
Confesso não ter sido fã de Silence 4 – as canções soavam bem e até houve uma ou outra fase em que cantarolava My Friends até acertar a letra. Mas a voz de Sofia Lisboa causava estragos nestas tábuas...



Felizmente, este cantor optou pelo trabalho a solo [que, na verdade, nunca o é – afinal de contas, todo o trabalho de qualquer cantor a solo é resultado de um esforço de equipa, cujos nomes não cabem em capa de CD]. Tenho vindo a comprar os seus álbuns [porque quando se gosta, compra-se!] e o arrependimento nunca surgiu.

Sing Me Something New, em 2003, foi a minha companhia em época de exames – as minhas companheiras na residência estudantil que o comprovem – ora alimentava a adrenalina do estudo, a frustração de não perceber nada, a angústia de não ter corrido bem, o alívio de ter terminado. Enfim, o soalho em Coimbra sentiu, semanas a fio, os sons de David Fonseca.

A partir daí, criou-se o gosto pelas criações deste artista e a expectativa do que mais virá! Ainda que, pessoalmente, nem sempre surpreenda e, por vezes, deixe pairar a ideia de que já se ouviu isto algures noutro momentoDavid Fonseca é alvo de elogio – pela sua criatividade, pela variedade de trabalhos que apresenta – não apenas no universo da música – e, mais que isso, pela agradável companhia que os seus sons revelam ser.

Hoje, fico-me pelo apelo àqueles que não ouvem David Fonseca , "porque o moço só canta em Inglês" [o que não é de todo verdade]:
parem lá um um minutinho para ouvir: