quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

(I've got) New Shoes (!)

Não gosto nada de comprar sapatos: diminui o bom-humor e aumenta a impaciência... Mas fiz-me vítima da época de saldos e lá fui eu comprar um par para a Primavera que (espero, mais cedo do que mais tarde) virá.

Vamos lá ver se eles aguentam os andares pela calçada desta cidade!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Is There A Ghost

Há filmes que são exactamente aquilo que esperamos, outros superam as nossas expectativas e há ainda aqueles que deixam algo a desejar, como por exemplo Due Date.

Confesso: gostei do filme, com todos os seus altos e baixos – o argumento supera a acção e talvez fosse esse o objectivo, o que até agrada.
Os seus altos, são excepcionais e, comparativamente, os seus baixos, são excepcionalmente rasos...

Com [e apesar de] tudo isto, saí do cinema satisfeita, com um sorriso nos lábios.
Mais do que isso, saí a pensar numa canção que integra a Banda Sonora (que, por sinal, parece ser bem diversificada, tal e qual o filme: com os altos e baixos, um conjunto de sons um tanto bipolar, mas bem aprazível) – Is There A Ghost, de Band of Horses.

Ontem, ao comentar o filme, disse que “gostei mais de uma canção do que de todo filme” – pois, ainda que a intenção não seja essa, há Bandas Sonoras que superam um filme – tornam-se maiores que a imagem e a história que revela.

Assim, se daqui a uns anos já tiver esquecido as cenas mais hilariantes e/ou deprimentes do filme, a canção [muito provavelmente] permanecerá.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Time Has Told Me

Estava na Alemanha, no Natal de 2002. O orçamento (estudado até ao último cêntimo) levara-me a optar por não visitar a família e amigos em Portugal.
A poucos dias do Natal, vi os amigos da residência – desde os alemães aos polacos e italianos – partirem para casa, com a promessa de voltarem antes do Ano Novo.

Surgiu o receio de entristecer dado o repentino silêncio nos corredores e, especialmente, na cozinha. Felizmente, não fui a única que decidira ficar em Colónia – o Mohammed e a Paula também não fizeram questão de passar aqueles dias de férias junto da família.
Assim, a cozinha perdeu o silêncio – um marroquino [muçulmano], uma romena [ortodoxa] e uma portuguesa [católica] estavam lá para manter alguma vivacidade naquela residência.

Ainda hoje, gosto de pensar que foi um dos melhores momentos natalícios que partilhei. O Natal, ainda que uma época festiva essencialmente cristã ou católica [confesso, ainda hoje não sei bem o que é o quê, no meio de tanta crença...] juntou três pessoas de diferentes raízes religiosas.

Lembro-me que Mohammed cozinhou para a ceia – o melhor frango e cuscus de sempre! Lembro-me de, depois do jantar, trocarmos prendas. Lembro-me de termos decidido não usar o metro do dia de Natal e assim surgiu uma das mais longas caminhadas em Colónia [um dia destes conto-vos como foi a outra mais longa...]. Passeámos e conversámos pela [e acerca da] cidade, sem nos lembrarmos que era dia de Natal. Mas... Se não o fosse, talvez não teriamos convivido desta forma, com serenidade e alegria, partilhando sentimentos e sorrisos.

Como prometido, os nossos vizinhos regressaram a tempo de celebrar o Ano Novo na residência – a Carly trouxe-me caldo verde para fazer e houve ainda quem, do Luxemburgo me tivesse trazido uma embalagem de tremoços e um pack de Super Bock!

O tempo passa e as lembranças daquela cidade revelam-se imóveis – mais do que isso, as pessoas que conheci nessa altura contribuíram, em larga medida, para a pessoa que sou hoje! Há pessoas dotadas de uma essência notável em sorrisos sinceros,  que contagiam e nunca se esquecem e, já cantava Nick Drake:

"Time has told me
not to ask for more"

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Let Me Be

O ar condicionado danifica a acústica deste soalho. O ameno artificial é bem vindo, mas não dura sempre e a madeira ressente-se.

Assim, dou por mim constipada – estado sempre inconveniente, mas especialmente irritante nestes dias.
À constipação, acumulo o stress do final de ano, que já cheira a mofo e pede o início do próximo, na expectativa de trazer mais sorrisos e afecto.

Com isto, procuro um cantinho para libertar esta irritação – dizem que a brisa salobra alivia e contribui para um respirar mais ágil. Dizem que um chá deverá acalmar e descanso é peremptório.
Estes conselhos, ainda que bem intencionados, nutrem a necessidade de fugir das palavras e procurar a tranquilidade.

Assim, se peço que me deixem por momentos, Xavier Rudd canta esse pedido em Let Me Be – onde, mais do que tranquilidade, pede a Paz. A simplicidade da mensagem, por muitos considerada trivial, é [sempre] digna de se partilhar – a liberdade é decisiva no caminho que se traça para a paz.

Com alguns sons de Xavier Rudd [que deixam sobressair vestígios semelhantes a Jack Johnson ou até Ben Harper], procuro enfraquecer a minha irritação e, talvez com um chá e uns quantos rebuçados, volte a respirar pelo nariz!


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Queen

 
Faltam poucos dias para o Natal e pensei em recorrer ao clichè de colocar aqui uma canção [obvia- e claramente] natalícia...

Porque há sempre bandas que decidem gravar um CD “especial Natal” – como que uma forma de prendar [quem é fã e quem lucra das vendas]. Até Bob Dylan recorreu a esse clichè e o resultado está à vista [ou, melhor, ao ouvido].

 Confesso: adoro Little Drummer Boy cantada por [quase] qualquer pessoa – porque é uma história envolta numa sonoridade que não é escrava.
É uma canção que vive independente – é dona de si mesma e sobrepõe-se a quem lhe dá voz. Talvez por isso mesmo, sejam muitos aqueles que recorrem a Little Drummer Boy.
Um exemplo que aprecio é, sem dúvida David Fonseca que, no seu hábito de apresentar uma canção de Natal a cada ano que passa, já procurou o auxílio deste som.
...
Com isto, o clichè vê as portas entre-abertas para este soalho – em época natalícia, a escolha de respectivas canções compara-se à escolha de café na Nespresso.
No entanto, não é uma ou outra canção que me fará recordar o Natal. Ao invés disso, é o Natal que me faz recordar uma ou outra canção.

Desde pequena, Agosto e Dezembro são meses que me levam rumo a Sul – a proximidade da família paterna quer-se, tanto em dias de sol e praia como em tardes de aconchego frente à lareira.

Assim, desde pequena oiço Queen – o grande apreço que a minha tia sempre teve por esta banda tornou-se contagiante – lembro-me de escolhermos os vídeos daquela banda e passar horas a absorver a energia de Freddie Mercury através daquela caixinha mágica.

Num Natal qualquer, há uns bons anos, nasceu a predilecção por esta banda – com 12 ou 13 anos de idade, o meu pai ofereceu-me o que seria o meu primeiro vinyl: Queen: Live Magic – que ouvia ininterruptamente, com um caderno e lápis na mão, levantando a agulha em jeito de pausa. Queria escrevinhar o que ouvia para cantar em consonância. Queria saber o que Freddie Mercury dizia com tanta energia e paixão.

Ainda hoje canto cada canção de Queen tal qual aprendi [isto é, com palavras ainda não existentes na Língua Inglesa] com orgulho de ter uma tia que me deu a conhecer uma das melhores bandas de sempre!

PAUS

Há pessoas que sabem [e, às vezes, até gostam] de música – escrevem em revistas ou jornais, colocam umas estrelinhas abaixo da capa do CD em questão e o leitor fica assim com a indicação de gostar ou não gostar, por vezes, sem sequer ouvir.
Dá jeito – uma conversa flui com maior facilidade quando temos o auxílio da opinião de outros em oposição à ausência do nosso saber.

Por outro lado, há também pessoas que gostam [e, às vezes, até sabem] de música – partilham a sua opinião, sem o receio de maltratar o que, numa revista, teria cinco estrelinhas, e sem cerimónias quando quer mostrar o que soa por aí e é bem bom de se ouvir.

Para quem vive, como eu, com um pé atrás perante o que é criado em Portugal [um defeito pessoal crónico, em fase de tratamento descontinuado...], estas partilhas são indispensáveis. Felizmente, tenho a sorte de conhecer quem goste de música e goste de partilhar. Caso contrário, continuaria ignorante no que diz respeito a PAUS.

Há muito talento em Portugal – daquele que merece ser bem tratado e bem ouvido! Esta banda é arma que fere o preconceito contra o que é criado neste país. E, como esta, há outras de qualidade mortífera.
Preferencialmente, opto por sons que não sejam inundados de sintetizadores e afins – ainda que estas ferramentas não me desagradem.

PAUS, mais uma vez, vêm quebrar todas as preferências e opiniões pessoais que mantinha antes de os ouvir. E, como boa leitora que sou, na falta de palavras para expressar a minha opinião, deixo o que esta banda escreve na sua biografia [do myspace]:
"uma bateria siamesa, um baixo maior que a tua mãe e teclados que te fazem sentir coisas".

Está tudo dito e não há volta a dar-lhe!   

sábado, 18 de dezembro de 2010

Crystalised

O frio mantém-se e há quem diga que já não é novidade... As mãos, em tom lilás, só querem os bolsos quentes, os pés pedem uma lareira e o coração merece um abraço que perdure.

Mas hoje, a época não o permite – há que sair do aconchego do lar e procurar prendas para oferecer no Natal. Tinha prometido, desde a hospitalização do meu carrinho e consequente despesa, que não o faria. "Não há prendas para ninguém!”– disse, convicta e triste.

Mas há quem diga que as promessas também se quebram, como copos de cristal perante um som agudo e estridente. Assim, vejo-me num café, a minutos de espalhar pedacinhos de cristal pelos caminhos do centro comercial. Lá se vai a promessa!...

Hoje, porque o tempo urge e, mais uma vez, passou por mim um carro com a matrícula ...-...-XX, aqui fica este som da banda The XX. É, para mim, mais uma banda que alimenta o Indie Rock britânico da melhor forma. Crystalised, que se tem tornado objecto de rotina diária, revela a calma e suavidade no seu som. Os instrumentos aconchegam vozes aparentemente ingénuas e doces, que deixam ecos numa mensagem levemente sombria.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Never Tear Us Apart

Ontem, em conversa com uma amiga, relembrei os dias frios na República Checa – porque 23º negativos parece muito frio e, ainda assim, o vento desta cidade suporta-se com menor dificuldade...
Recordei momentos simples – aqueles que não vale a pena contar, dada a sua trivialidade. Andar com neve pelo joelho, convicta de que não molha como a chuva – e o consequente desabar desta simples e ignorante certeza. O evidente nem sempre é o nosso pensamento primitivo, e é assim que chegamos a casa com a roupa a pingar e o corpo a doer.

Dois anos naquele país criaram o sentimento de fuga perante lugares por onde a neve passa, mas não criaram, de forma alguma aversão à República Checa. Ali, ensinei pela primeira vez e, acima de tudo, aprendi. Muito. Sobre os outros e sobre mim. [Quantas vezes, dei por mim a cantarolar “people are strange, when you’re a stranger”!]

As idas a Praga tornaram-se tão comuns que o hábito superou o magnífico. Mas a beleza está lá e não há fotografia, nem vídeo, que a deixe viver cabalmente.

Saudades de Praga? Das ruas, dos monumentos, das pessoas? Quem não tem, depois de partir? Mas não é caso para chorar - é mais um ponto no mapa que a sorte me ofereceu. Agora fico-me por aqui, pousei as malas e deixo que o pó assente – só um bocadinho!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Thunderstruck

Por vezes, num bar desta cidade, há quem dance e cante canções com uma versão personalizada e, diria, especial.
É um acto que convida a boa disposição – cantar, por exemplo, o nome de um jogador de futebol no refrão de 7 Nation Army é bem mais divertido e, ainda que de forma menos evidente, transmite um sentimento de amizade entre aqueles que o fazem.
É, de certa forma, um exemplo como a música une as pessoas e permite a partilha – de sentimentos, de ideias e até de lembranças e sorrisos!



Thunderstruck de AC/DC é, pura e simplesmente, uma “kickass song”! Dito isto, pouco mais haverá a dizer, pois Thunderstruck não se comenta, sente-se.
A adrenalina desperta aquando do início deste som e toda a energia se renova até ao último segundo!

Há quem acredite que é a resposta a We Will Rock You de Queen – ambas reforçam a motivação e traçam o caminho para alcançar a energia pessoal, mas AC/DC atinge o objectivo com uma fluidez bem mais veloz e, ao mesmo tempo, duradoura. Aqui, o meu amor por Queen faz uma vénia a este som de AC/DC

De volta àquele bar – às pessoas que habitualmente o visitam e, no fundo, criam a identidade daqueles poucos metros quadrados.
Pessoalmente, adoro o grito português que se ouve, ao invés do estrondoso “Thunder!”. Remete a alguém cujo valor sentimental é imensurável e assim, ainda que não acompanhe quem faz ouvir aquela versão naqueles momentos, é o coração que canta – sempre!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Adele

Li algures que o Slash considera a Fergie a melhor cantora dos últimos 15 anos. Ora, lá que a moça canta, não há dúvidas. O seu talento é [quase que] indiscutível, ainda assim, para que eu concordasse com Slash, teria que, muito provavelmente, estar sob o efeito dos mesmos estupefacientes que ele...
Com isto, coloco uma questão já conhecida, que dificilmente desaparecerá. Pergunto: “Se ela [a Fergie] tivesse uns 20 kgs em cima daquele fantástico corpo, será que o comentário se manteria?” Pois, correndo o risco de ofender Slash, tenho as minhas dúvidas...
Com algum receio, critico este consumo de música “pela visão” – porque, para alguns, é bem mais agradável ouvir uma voz vestida de um belo corpo e cara bonita.
Afinal de contas, [seguem-se aqueles exemplos voluntariamente simplistas e que generalizam a questão] the Beatles tinham uma legião de fãs [femininas] a comprar os seus álbuns, e quase que aposto que não era [só] pela complexa composição de Yellow Submarine, ou pelas suas vozes extraordinárias...
De forma ainda mais vulgar e evidente, o público americano preferiu Lee DeWyze a Crystal Bowersox – eu sei, gostos não se discutem... Assim, e infelizmente, por vezes há cantores que ficam para trás pois a aparência não está ao nível desses gostos...
Houve quem cantasse “video killed the radio star” e, ainda hoje, há vozes que se vêm esquecidas ou ignoradas por um público sedento do que é agradável aos seus olhos.

Com isto, chego a Adele – o exemplo de uma voz “ignorada” por muitos [e esquecida pelo Slash, aquando do seu comentário], pois, manda o ideal de beleza da nossa sociedade, parece não ser apelativa visualmente.


“Gosto da voz, mas a canção é uma seca”, foi o que pensei quando ouvi, pela primeira vez, Chasing Pavements. Ainda assim, guardei espaço para ouvir restantes sons de Adele e, com Hometown Glory, este soalho criou um lugar especial para os sons de uma artista lindíssima [sim, porque gostos não se discutem, ela é lindíssima!]!
Hometown Glory surgiu aquando da minha decisão de regressar a esta cidade e sustentou a vontade de aqui permanecer, sem o sentimento de estranheza. Esta canção tornou-se assim um hino pessoal à cidade que acolhe a lembrança da adolescência e – entre ruas, pessoas e lugares – criará novas memórias.
Slash poderá nunca ter ouvido Adele – mas aqui, quem perde é o senhor da cartola.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

God Gave Me Everything I Want

Há pessoas que parecem ser invencíveis – a insuperável energia de alguns é quase táctil, sente-se um arrepio no peito e somos contagiados pela força que ressalta das suas vozes.

Há quem veja o mundo como algo simples de se ocupar e, talvez assim, o lugar que ocupam é bem mais visível – porque às vezes temos que afastar a modéstia, temos que sentir que somos bons a fazer algo [nem que seja cozinhar!] e mostrá-lo para que não haja dúvidas.


Mick Jagger e Lenny Kravitz dão voz a um exemplo de um som repleto de invencilbilidade.
Ouve-se uma certeza: [porque é tão simples, e é isso mesmo...] o mais importante são as coisas simples da vida – e, quando se ouve tal mensagem embrulhada num rock, para mim,  competente e cru, as palavras são contagiantes.


De repente, ainda que os dias não nos sorriam de forma mais honesta, este som é sentido como uma força que nos suporta e lembra que a simplicidade também é querida – também.

Afinal de contas, ainda estou por cá e não estou só. Mais do que isso, ainda tenho tempo para fazer crescer este lugar que ocupo. E, para que este cantinho no mundo se revele mais sorridente e altivo, contribuem aquelas coisas que tomamos por garantidas.
Para quem está esquecido [como eu, nestes últimos dias] fica esta canção.



quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Warpaint

Sou daquelas pessoas que desistiu de comprar religiosamente o Blitz quando se tornou a Blitz. Recebo via e-mail a newsletter, o que me basta dado o descescente interesse pela escrita que apresenta. Volta e meia, dou por mim satisfeita com a leitura vertical dos títulos, sem necessidade de aceder ao site da Blitz.

Ontem, felizmente, dei o braço a torcer a esta nossa e-revista. E a curiosidade colheu os seus frutos.
Hoje, a escassez de tempo e excesso de cansaço permite-me somente que deixe um som de Warpaint, uma banda que me suscitou a curiosidade e, espero, abrilhantará este soalho!



terça-feira, 7 de dezembro de 2010

David Fonseca

“Um português tem é que cantar em PORTUGUÊS!” – é o que por vezes se ouve dizer, não sei bem porquê. Será uma questão de nacionalismo? Há que ser fiel a esta nossa pátria e sua Língua? Não sei e, felizmente, não será questão profundamente discutida neste soalho.
Ainda assim, solto a minha opinião – pois não me importa se a nacionalidade do cantor está em consonância com a língua que usa para cantar.

Se um Português opta por cantar em Inglês, exigo apenas que o faça bem – não me refiro apenas à qualidade musical [disso, percebo pouco], mas também ao bom uso da Língua Inglesa. Caso contrário, surgem coisas como Squeeze Theeze Pleeze, que magoam os ouvidos e dão razão ao comentário inicial...



David Fonseca, a par da sua criatividade – que explode tal qual fogo de artifício – tem a felicidade de saber usar a Língua Inglesa de forma menos simplória e aportuguesada – e, inicialmente, foi assim que me cativou, desde os tempos de Silence 4.
Confesso não ter sido fã de Silence 4 – as canções soavam bem e até houve uma ou outra fase em que cantarolava My Friends até acertar a letra. Mas a voz de Sofia Lisboa causava estragos nestas tábuas...



Felizmente, este cantor optou pelo trabalho a solo [que, na verdade, nunca o é – afinal de contas, todo o trabalho de qualquer cantor a solo é resultado de um esforço de equipa, cujos nomes não cabem em capa de CD]. Tenho vindo a comprar os seus álbuns [porque quando se gosta, compra-se!] e o arrependimento nunca surgiu.

Sing Me Something New, em 2003, foi a minha companhia em época de exames – as minhas companheiras na residência estudantil que o comprovem – ora alimentava a adrenalina do estudo, a frustração de não perceber nada, a angústia de não ter corrido bem, o alívio de ter terminado. Enfim, o soalho em Coimbra sentiu, semanas a fio, os sons de David Fonseca.

A partir daí, criou-se o gosto pelas criações deste artista e a expectativa do que mais virá! Ainda que, pessoalmente, nem sempre surpreenda e, por vezes, deixe pairar a ideia de que já se ouviu isto algures noutro momentoDavid Fonseca é alvo de elogio – pela sua criatividade, pela variedade de trabalhos que apresenta – não apenas no universo da música – e, mais que isso, pela agradável companhia que os seus sons revelam ser.

Hoje, fico-me pelo apelo àqueles que não ouvem David Fonseca , "porque o moço só canta em Inglês" [o que não é de todo verdade]:
parem lá um um minutinho para ouvir:


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Heaven Can Wait

Há alguns anos, por apreço a Jane Eyre de Charlotte Brönte, comprei o filme baseado nessa mesma obra.

Parece-me muito natural a sensação de desilusão que surge logo após a visualização de um filme que tenha sido baseado num romance. Há sempre qualquer coisa que falta ou falha, não era bem assim que se imaginava as coisas, o realizador poderia ter feito melhor e os actores podiam ter sido outros. Enfim, diria que estes comentários são habituais, ainda que quem os diz, por vezes, acredita ser original nesse modo de pensar.

Pessoalmente, este filme não foge a comentários semelhantes – aliás, eu acrescentaria de bom grado uns poucos adjectivos depreciativos a esta medíocre adaptação...

Ainda assim, já diz o velho ditado, há males que vêm por bem – e assim foi. Quando se quer comentar algo, convém conhecer um pouco mais, ainda que não se goste – assim, como consequência da curiosidade para saber mais acerca deste filme, fui ao encontro de Charlotte Gainsbourg. Confesso e cito o comentário mental deste meu primeiro encontro: “Oh, não... mais uma actriz que quer ser cantora, ou cantora que quer ser actriz...”

As primeiras impressões são tramadas e, às vezes, convém lutar um pouco a favor das segundas. Foi assim que dei por mim a ouvir esta “cantora-actriz/actriz-cantora” e, ainda que o seu tom se aparente monótono para alguns, há qualquer coisa naquele som que me agrada.

Em IRM, surge uma colaboração com Beck – e foi assim que tive de encontrar um espacinho no soalho para guardar mais um som.
Heaven Can Wait, ainda que nos mantenha no purgatório, deixa um sentimento positivo, que nos faz sorrir, mesmo que levemente.

"Heaven can wait and hell's too far to go

Somewhere between what you need and what you know"

domingo, 5 de dezembro de 2010

The Joker

Cuca - foi o nome dado à gatinha que se adoptou lá em casa. Há cerca de um mês... comecei a desconfiar que a Cuca era, na verdade, um Cuca... Há dois dias, avistei uma pilinha! 
E assim, venho parar a esta canção, ou antes, ao vídeo desta canção!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Santa Chuva


Cada vez que chove, as palavras Santa Chuva passam-me pela cabeça.  Este som não canta a chuva que se ouve na rua, o ruído é outro e é assim que hoje fico-me por ouvir Maria Rita uma voz que parece não saber mentir, tal é a presente sinceridade de um amor à música.

Sempre gostei de Santa Chuva pelo poder de [segue o clichè:] me tirar o fôlego e, ainda assim, com a lágrima no rosto, surge a sensação de que há força aqui dentro

Há qualquer coisa única na fragilidade de uma mulher e sua capacidade de lutar contra a injusta tristeza.

Correndo o risco de haver quem muito discorde, Santa Chuva, na voz de Maria Rita [porque, faço questão de esquecer os Los Hermanos e sua ligação a este som...] é, para mim, uma daquelas canções que só uma mulher compreende, só um ouvido feminino realmente sabe a luta que exala daqueles sons.
Quando ferida pelas acções [ou ausência de acções] da pessoa que ama, uma mulher cai indefesa, o soalho enche de lágrimas e arrefece o corpo até ao coração. E é assim que uma mulher se revela mais frágil que um fio de cabelo – pois não há causa mais forte do sofrimento de uma mulher que a falsidade e desamor de um homem.

Por outro lado, já diz a célebre frase [ainda que não muito bem adequada ao presente som]: “Hell hath no fury like a woman scorned”.

Isto para relembrar que, se a fragilidade é feminina, também o são a intuição e a força. Em Santa Chuva, não é a mulher indefesa que surge – não ouvimos aquela que necessita de um knight in shinning armour.
Aqui, ouve-se a certeza de um nunca mais, de uma lição aprendida. A mulher ergue-se do soalho salgado e impõe a certeza de que o seu coração não voltará a cair. Porque a ingenuidade e o desarme não são inerentes ao coração feminino – e o homem que o fere não tem como desculpar-se.



quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

[yesterday was a] Bad Day

   Este soalho terminou o dia de ontem com umas quantas tábuas partidas e, em busca de sons que reparem o estrago, tem criado nas últimas horas uma cacofonia explosiva, que vai desde Portishead a Rammstein.
Esta procura levou-me, ainda ontem, a uma banda que me oferece um pouco de tudo [ainda que as suas criações dos anos 80/90 me pareçam bem mais maciças e resistentes].

Não comentar REM, deixaria este soalho com um buraco quase impossível de tapar – afinal de contas, tem a mesma idade que eu e assim é daquelas bandas que, quer queira quer não queira, foi revelando ao longo dos anos a sua companhia com uma ou outra canção:


[a]   Radio Free Europe ouvia-se, tinha eu um ano de idade... Sendo assim, que posso eu dizer? Até poderia referir-se à Organização Norte-Americana Radio Free Europe/Radio Liberty (RFE/RL), mas que sei eu? Pois bem, a qualidade intemporal da Música permite-me que diga que o que realmente importa é que esta é daqueles sons que se ouvem bem num local semi-iluminado, com um grupo de amigos que dança sem se dar conta dos movimentos.

[b]   A vontade de dançar e ir a um concerto de REM torna-se evidente com Little America. É um som que me prendeu desde as primeiras palavras, porque “I can’t see myself at thirty” fazia todo o sentido!

[c]   Hoje, penso em Driver 8, simplesmente pelos acontecimentos de ontem – era eu a driver e o meu carro ficou “feito num 8”! É uma canção que opto por não ouvir agora, pois lembra o quão árduo é atingir um objectivo e a dificuldade pede uma pausa, ainda que se se esteja longe do nosso destino.

[d]   No espírito de mudança para um som bem mais positivo, opto por I Believe – pois há que acreditar na mudança para algo melhor ou, pelo menos, mais realista. “I believe my shirt is wearing thin /And change is what I believe in” – carrega em si a verdade de toda a canção e, pessoalmente, não poderia fazer mais sentido: pois há que acreditar na mudança, quando algo começa a deteriorar o nosso “eu”.

[e]   Há tantas covers de The One I Love e ainda assim não há nada como ouvir o original... Pouco se dirá sobre esta canção – estará sempre ligada a alguém, num dado momento da vida – pois quem a ouve, deixa o egoísmo para trás e enche o coração e a mente com a existência de uma outra pessoa.


[f]   Li algures que Turn You Inside Out é uma das canções favoritas de Michael Stipe. Não sei se será verdade, mas é bem possível. Afinal de contas, quem não gosta de uma canção que fale de amor, sem recorrer ao clichè – porque “amar” nem sempre é um mar de rosas.

[g]   Perante os elogios a sons de REM que que se vão sentindo nesta mensagem, diriam que sou uma fã incondicional. A verdade é que há canções de REM que me fazem fugir a sete pés. Não será surpresa quando digo que Shiny Happy People é, para mim, a pior canção que os REM alguma vez criaram. Tenho por hábito acreditar que, sons como aquele acontecem por um de duas razões:
[] demasiada droga ou
[] droga a menos.
Indecisa no que diz respeito a REM, opto por Losing My Religion. Tenho vindo a saber o que este som respira – porque há que comunicar, ser sensato e sincero para, no fundo, acreditar numa relação.

[h]   Acredito piamente que Everybody Hurts é uma canção que acompanhou a adolescência de toda uma geração nos anos 90. Confesso não ser excepção – as dúvidas e paixões de uma jovem foram confortadas por este som melancólico e, ao mesmo tempo, doce e esperançoso. Esta canção será sempre um ombro amigo para muitos, e que ombro!

[i]   Não sei bem porquê, com I don’t sleep, I dream, surgiu a ideia de que REM faz coisas sexys – e assim penso em uma das qualidades de REM: a possibilidade que nos oferece de ouvir uma canção e pensar o que quisermos dela – porque a imaginação é livre de formalidades realistas.

[j]   Há uma canção que em tempos me prendeu pela calma que oferecia, apesar de toda a confusão que nos rodeia – por entre a perda e o ruído, há um coração que bate e que deve ser escutado. E-Bow The Letter é uma brilhante colaboração com Patti Smith – e assim se engrandece toda força para carregar o peso de uma fantástica canção.

[k]   Ignorando toda a complexidade que esta canção apresenta – porque há questões cuja simplicidade é apenas superficial e lá em baixo há muito mais para descobrir – há á dias em que me sinto assim: tal qual um Daysleeper.

[l]   Se, por outro lado, REM não criticasse, se não apresentasse o negativo de uma forma tão alegre, talvez, não ouvisse com tanta frequência. E assim recordo Imitation of Life, onde se sente a poesia até ao último detalhe – porque a arte imita a vida – e imitação não é sinónimo de tradução.

[m]   Com o passar dos anos, os sons de REM foram-se afastando destes ouvidos... Around The Sun surgia quando o optimismo era necessário, mas por vezes, um pouco tarde de mais... A idade tem destas coisas e REM também não ficam mais novos!..

Talvez Collapse into Now trará uma companhia que mate saudades de sons destes senhores! Entretanto, fica aquela que me relembra ontem...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Crash[ed my car] Kings

Hoje, após um acidente de carro pela manhã e a certeza de que não há como culpabilizar outra pessoa que não eu, fica uma canção de Crash Kings, porque:

[1] com o acontecimento de hoje, considero-me justa pretendente ao posto de “Car Crash Queen”;

[2] só posso esperar que seja já Quarta, pois o dia de hoje é para esquecer;

[3] estou a precisar de sons que me impedissem de pensar nos estragos do meu carrito e, entre tantos que me passaram pela cabeça [desde Airbag de Radiohead a Crash Into Me de Dave Matthews Band], este é o que estranhamente mais se afasta do acidente... 


Amanhã será melhor (já dizem os Incubus [ironicamente, em Drive]: "whatever tomorrow brings, I’ll be there...").



segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Come Together

“Não se ama alguém que não ouve a mesma canção” – canta Rui Veloso, enquanto acabo o café e acendo o cigarro – e assim, elimino o texto que estava a escrever e opto por seguir este som, que me levará algures neste dia frio. 

A Paixão tornou-se usual (ou até banal) nos bares e cantares deste país e, ainda assim, há quem dê a mão à palmatória na força deste simples verso.
Pessoalmente, tenho a mão estendida desde sempre – pois o "não ouvir a mesma canção" já proporcionou o desinteresse [preconceituoso e involuntário] por uma ou outra pessoa –, mas mantenho a certeza de que o verso da medalha é igualmente bem possível.

Ainda que A Paixão nos fale de um desamor, o dia de hoje relembra como a canção – [quase] toda e [quase] qualquer uma – é uma força que elimina o espaço entre as pessoas, criando novas amizades e proporcionando um novo amor. Quem não foi ainda feliz vítima desta força, vive [digo eu] com menos sorrisos.

De um modo geral, diria que há sons que permanecem no coração – como que uma pilha extra e recarregável – para que ele não deixe de sentir. Por vezes, temos a sorte de encontrar quem use uma mesma pilha, possibilitando assim a aproximação dos corações – e ouve-se um tic-tac em uníssono que sabe sempre bem!

Nestes dias frios, que nem sequer deixam ver o sol, tenho pairado numa outra canção que recarrega as pilhas e apela ao aquecimento do coração – porque às vezes, para que haja a aproximação e o aconchego, temos que apelar!

Assim, esta canção vai e vem nesta semana de Novembro, sem que o seu significado vá para além do título. Ela é ouvida [e, em momentos distraídos, cantarolada] pela vontade de estar junto de quem se gosta, pela sensação de que essa união é possível – basta querer e ... basta ouvir a mesma canção!


Ainda que bastante reticente quanto a algumas criações dos Beatles [Yellow Submarine, independentemente do seu valor social, será sempre uma tortura...], há sons sensacionais nos seus álbuns e Come Together é, para mim, um excelente exemplo. Mais do que isso, tem sido uma excelente companhia!

Perante tantas opiniões quanto ao significado de Come Together [e, já agora, de qualquer outra canção dos The Beatles], agrada-me a ideia de que cada estrofe descreve cada um dos membros da banda, pois nem sempre temos que ver as coisas pelo lado político... Os sons unem-se e as palavras apresentam quem os cria – se tiver que pensar acerca do carácter social e político, não será hoje, certamente!

Hoje, fico-me pelo apreço da sua sonoridade suavemente energética e ideia de união que a música cria.  



sábado, 27 de novembro de 2010

Feel So Low

Há dias em que o soalho vai a baixo – surge um peso que pisa as tábuas sem se descalçar e magoa a madeira. Nesses dias, o soalho lamenta-se com a ajuda de Porcupine Tree e os sons em Feel So Low.

Foi esta canção que me deu a conhecer Porcupine Tree, há três anos apenas... [ainda bem que nunca é tarde para ouvir canções pela primeira vez!]
Curiosamente, quando ouvi Feel So Low pela primeira vez, não andava nada em baixo – era Verão, o sol alimentava a boa disposição e o dia-a-dia sorria para momentos bem vividos. Ainda assim, em contraste com a minha disposição, não consegui deixar de ouvir repetidamente esta canção e procurar os restantes sons desta banda britânica.

Tenho por hábito não catalogar bandas por estilo [muito graças aos limitados conhecimentos que tenho desses catálogos], mas chamam-lhe rock progressivo, algo psicadélico ou electrónico e com uns traços de heavy metal. Ora, catalogar Porcupine Tree parece-me ser uma tarefa difícil e o meu catálogo é sentimental, consequentemente, só posso dizer que o estilo desta banda é bom! Bom de se ouvir, bom de se sentir, bom de se partilhar.


Se o tom melancólico é frequente nas [poucas] canções que conheço, a característica singular presente em cada canção leva-me a ouvir Porcupine Tree uma e outra vez – quer me sinta bem, quer não sorria há bastante tempo.

Feel So Low, ainda que não a canção mais melancólica desta banda, será aquela que liberta a tristeza sem recurso a metáforas, alegorias ou qualquer outra figura de estilo.
Aqui, a melancolia é pura, simples e sem rodeios – as palavras acompanham a simplicidade da situação retratada e, com todo o apoio da música, o seu valor é expresso de uma forma que poderá fazer pensar, num ou noutro momento, "aquela canção sou eu".